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Regenerados pela Graça de Deus

O Deserto

Deserto, geograficamente falando, é uma região quase inóspita devido às temperaturas extremas, tanto alta como baixa, e escassez de água. Quando ouvimos alguém falar em deserto, logo nos vem à mente um lugar ruim, de sofrimento, de morte. A palavra é também usada para designar um lugar que não tem ninguém: “Durante o feriado prolongado, a cidade ficou deserta…”.
Existem vários tipos de deserto e um deles é formado pelos ventos contra-alísios, que dissipam as nuvens deixando o céu aberto, o que permitindo que a luz solar aqueça ainda mais o solo.
Na história do povo judeu, o deserto aparece várias vezes, obviamente por questões geográficas, mas com diferentes propósitos.
Moisés foi chamado por Deus, mas, como um soldado que abandona a batalha, desertou. Fugiu para o deserto onde passou 40 anos de sua vida. Nesse período, Deus foi trabalhando na vida de Moisés até que ele estivesse pronto para libertar o povo judeu do Egito.
Em seguida, o deserto é usado por Deus como um meio de purificação. O povo se rebelou contra Deus ao ponto de sentir saudade do tempo da escravidão no Egito. Dos que saíram do Egito, somente Josué entrou na terra prometida. Os demais eram descendência dos que morreram no deserto.
Jesus foi conduzido pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado. Lá, após vencer todas as investidas do diabo, iniciou seu Ministério terreno.
Hoje em dia, ouvimos pessoas dizerem que estão passando por um deserto, visto o tamanho dos problemas que estão passando. Porém, diante dos aspectos mostrados do deserto, podemos concluir que o deserto divino é um catalisador de transformações.
No deserto divino há purificação. Lá o vento do Espírito dissipa as nuvens que nos impedem de ver a luz da Estrela da Manhã. Para lá somos levados pelo Espírito para sermos tratados, restaurados, transformados, aprovados. No deserto de Deus, a derrota se transforma em vitória, o que parece perdido é achado, a água jorra da Pedra que é Jesus.
Uma vez que saímos de lá, certamente a aprovação de Deus estará sobre nós.
Quando estivermos passando por um deserto, não murmuremos perguntando o porquê, mas estejamos atentos para perguntar: Para quê, Senhor?

by New®

SILÊNCIO E QUIETUDE!

Leituras: Salmo 46 e Mateus 6

“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” é talvez a ordem divina mais difícil de ser atendida.

A dificuldade está no fato de que é Deus quem fala, mas é o homem quem tem que se aquietar, deixando o motor de suas ansiedades parar, permitindo-se levar no ‘automático da confiança”.

Ansiedade é algo tão terrível em razão do poder que tem de tornar o presente inaproveitável, escravizando o indivíduo, pela insegurança, à virtualidade agustiada do que não existe ainda, posto que a ansiedade se faz serva do futuro; ou seja: ela escraviza o ser ao que não é, e o impede de viver o dia que é Hoje.

A ansiedade é barulhenta, aflita, ruidosa, e, seus ruídos são como o barulho que se ouve a noite quando se anda sob fios de alta tensão: invisíveis, porém reais e destrutivos.

O ruído e a energia da ansiedade faz a alma se sentir eletrificada pelo sentir de uma força hostil e negativa, a qual, pela sua própria natureza, se alimenta de pre-ocupações… escravizando a alma ao fantasma que o medo concebeu como futuro.

O corpo todo sofre quando você está ansioso. Os braços, especialmente, parecem ficar lotados de um carga como que elétrica, e que vaza pelos membros, angustiada por fazer “um terra” que a descarregue…; embora, em se estando ansioso, nada absolutamente faça esse “terra” pelo qual se possa descarregar tal energia. Ao contrário, toda a tentativa de se ‘fazer terra’ apenas aumenta a ansiedade, posto que a ansiedade se alimenta da imprevisibilidade da terra… portanto, do tempo e do espaço.

A mente ansiosa trabalha correndo atrás do pior, angustiada por não saber o que reserva o amanhã. Assim, quanto mais energia alguém dedica à ansiedade, mais insaciável ela se torna, e mais fraca a pessoa se sentirá em relação o poder do que ainda não é…

Chega o ponto em que drenada, impotente, angustiada, gelada de medo, a pessoa passa a crer que todo o mal que ela teme a alcançará… e, assim, imagina que todas as não-soluções lhe acometerão…

A ansiedade é a fé no pior; é filha da desconfiança; é tão certa quanto a culpa de cada um; é tão implacável quanto o vatícinio de inimigos; é tão covarde quanto o diabo.

Por essa razão, assim como a fé é a certeza das boas coisas… a ansiedade é a expectativa amedrontada de tudo o que é ruim.

Daí, não raramente, a ansiedade chamar à existência justamente as coisas que pela ansiedade se teme… e das quais se fuge… ou se luta buscando fazer prevenção.

Na ansiedade não há fé, pois, onde há fé, aí não há ansiedade!

Na melhor das hipoteses a ansiedade gera uma fé nervosa e que existe em estado de desespero.

É por essa razão que eu disse no início que “aquietar-se” e esperar na intervenção de Deus é uma das coisas mais difícéis que se pode pretender realizar. Alías, se houver ansiedade jamais se terá tal descanso; posto que o estado de descanso vem da confiança e da entrega.

O que é mais ficífil nisso tudo é que o “aquietar-se” é algo que Deus ordena, mas é o homem quem tem que decidir.

“Aquietai-vos” evoca uma decisão pessoal; uma resolução; uma consciência que abre mão do instinto aflito de auto-defesa; é uma vontade de paz; um entregrar confiante da impotência pessoal, crendo que em tal paradoxo nasce o poder que realiza o impossível.

Aqueietar-se em Deus é o agir pelo não agir!

Provavelmente a maioria das pessoas só pensam nesse mandamento divino quando tudo está “preto”, e já não se tem saída. A contradição é que essa é a pior hora para se começar no caminho da quietude. Todavia, antes na calamidade do que nunca…

No entanto, o que se deve almejar é entrar num estado permanente de descanso e confiança, intentando fazer até mesmo com que a própria respiração e cadência do fluxo sangüinio se ponham também sob as bênçãos de tal ordem de vida dada por Deus.

Ou seja: é melhor se treinar na quietude todos os dias, fazendo exercício cotidianos de descanso da alma, chamando o ‘pôtro’ angustiado que há dentro de cada um de nós para acalmar-se junto às águas de descanso e nos pastos verdejantes da quietude interior.

Ora, se assim se faz em tempo de paz…, muito mais fácil fica não abandonar o compromisso com a confiança que gera quietude no dia da guerra; posto que se aprende na vida a começar das pequeninas coisas.

O fato é que é preciso que se ‘aquiete’ antes…, a fim de que de possa ‘saber” quem é Deus ‘depois’.

Deus se deixa conhecer como Deus na quietude confiante e no silêncio entregue e pacificado que vem da fé.

A questão é que temos horror de confiar, crer, entregar, abandonar, descansar, deixar a vida correr no fluxo…; e, sem temor, não temer peder nada…; posto que tudo aquilo que é entregue a Deus jamais se perde… mesmo que não esteja em nossas mãos.

Em meio a tudo isso…, nesse ‘aquietai-vos”…, há também com convite ao silêncio interior.

Deus fala no silêncio!

Silêncio em Deus é quando os processos mentais se acalmam, a alma se deita aconchegada, os espírito de levanta voluntário, o coração se aninha humilde, os ouvidos interiores se abrem, e, nossas vozes vocais ou não-vocais emudecem…; sim…, é depois de tudo isso que podemos ficar abertos para ouvir Deus no silêncio…

E Ele fala. Fala dentro de nós. Fala sem palavras e sem linguagem. Fala através de sentimentos… às vezes de angustias que emulam a consciência… às vezes através de brisas, ventos, folhas que se esvoam, pássaros que cantam, estações que mudam, luares sombrios ou iluminados; bem como através de gestos, acontecimentos, inspirações, alegrias puras, gratidão, esperança, sonhos…; e, sobretudo, mediante o silêncio da Palavra, que fala sem gritar, e que admoesta em consolação.

Experimente a santa irresponsabilidade de descansar em Deus, de dizer ‘tô nem aí… está nas mãos de Deus…’; ou, ainda, experimente fazer da quietude o seu tesouro, o seu modo de vida, o seu sentir mais normal, e sua ambição mais preciosa.

Ah! Grande alegria e contentamento há na confiança que sossega e se aquieta!

Quem assim faz… em fé… esse conhecerá a Deus. Sim, esse ‘saberá’ em profundidade acerca do poder que emana em favor da alma que se aninha na amizade de Deus.

Bem-aventurados os que se aquietam, pois eles saberão e conhecerão quem é Deus!

Pense nisso!

Caio Fábio

extraído de Caio Fábio